Casa Ferreirinha frente a frente com grandes vinhos do mundo
Numa época em que os consumidores têm acesso mais facilitado a alguns dos mais prestigiados vinhos produzidos nos quatro cantos do mundo, lançar uma nova colheita já não é suficiente para captar as atenções. Talvez por isso a Casa Ferreirinha tenha optado por uma forma diferente e pouco habitual de apresentar o seu novo Reserva Especial 2017. Colocá-lo lado a lado, numa prova cega, com alguns dos mais reputados vinhos do planeta.
Vivemos uma época aúrea para quem gosta de vinho. Nunca houve tantos eventos, tantas apresentações, tantas novidades e, sobretudo, tantos vinhos dos mais variados estilos e gamas de preço disponíveis no mercado. Em muitos países produtores, incluindo Portugal, a qualidade atingiu níveis impressionantes. A concorrência é feroz e o consumidor tem hoje acesso a uma oferta que há poucas décadas seria impensável.
Talvez por isso a Sogrape tenha decidido lançar o seu Casa Ferreirinha Reserva Especial 2017 de forma original. Em vez de se limitar a apresentar o vinho com todas as formalidades, como sempre faz, foi um pouco mais além e colocou a nova colheita do vinho à prova com outros grandes vinhos do mundo. Um exercício de confiança, que permitiu avaliar este grande vinho do Douro sem rótulos nem preconceitos.
O cenário da prova, coordenada pelo líder da equipa de enologia, Luís Sotto Mayor, foi o JNcQUOI Club, em Lisboa. À mesa estavam seis vinhos, todos da colheita de 2017, e todos de diferentes países. O objetivo era perceber como um grande ano se expressou em diferentes terroirs, castas e filosofias de produção. A lista incluiu o argentino Cheval des Andes, o francês Cos d’Estournel, o americano Opus One, o australiano Penfolds Grange, o italiano Sassicaia e, naturalmente, o português Casa Ferreirinha Reserva Especial. Vinhos que são grandes clássicos e figuram entre os mais reconhecidos e desejados do mundo.



Já sabemos que os nossos vinhos não devem nada aos de outros países, mas não é todos os dias que em Portugal temos a oportunidade de o comprovar numa prova de grandes vinhos do mundo, ainda por cima às cegas, onde os rótulos desaparecem e tudo se transforma num exercício de suposições.
No primeiro vinho provado, hesitei entre o Casa Ferreirinha Reserva Especial e o Cos d’Estournel. Encontrei-lhe elegância, contenção, complexidade e uma certa sobriedade aromática que associei de imediato aos grandes vinhos do Velho Mundo. Mas afinal, tratava-se do Sassicaia, o icónico vinho da Toscana. Errei o país, mas não o estilo, pois estava claramente perante um vinho do Velho Mundo.
O segundo vinho levou-me numa direção completamente diferente. A fruta mais madura, a estrutura mais exuberante e a expressão mais generosa fizeram-me pensar de imediato no Novo Mundo. A minhas hipóteses recaiu sobre o Opus One. Também não acertei. Tratava-se do argentino Cheval des Andes. Não acertei no produtor, mas o perfil estava lá, a assinatura do Novo Mundo era evidente no copo.
Já a elegância, a precisão e o equilíbrio do terceiro vinho levaram-me de imediato para França. O Cos d’Estournel parecia-me uma hipótese bastante credível. Mas era o Casa Ferreirinha Reserva Especial 2017! A sua elegância revelou que é perfeitamente compatível com aquilo que esperamos encontrar num grande clássico europeu.
No quarto vinho provado voltei a identificar um perfil marcadamente bordalês. Havia estrutura, frescura, profundidade com elegância e um perfil aromático muito característico. Desta vez acertei, tratava-se do Cos d’Estournel.
O quinto vinho levou-me novamente para Itália, e julguei estar perante o Sassicaia, mas a revelação mostrou tratar-se do Opus One. A proximidade entre estilos mostrou-se maior do que as fronteiras geográficas poderiam sugerir…
Por fim, no sexto e último vinho, encontrei aquela que me pareceu ser a assinatura mais evidente da Austrália. A exuberância aromática, a intensidade da fruta e a concentração conduziram-me imediatamente ao Penfolds Grange. Desta vez, a intuição confirmou-se, já que era mesmo o lendário vinho australiano.
Revelados os vinhos no final vi que acertei em dois vinhos ( o Cos d’Estournel e o Penfolds Grange ) e fiquei muito próxima de adivinhar os restantes, já que identifiquei o estilo onde se enquadravam.
No grupo de especialistas presentes, os resultados foram semelhantes. O que quer dizer que este tipo de exercício demonstra que a experiência ajuda, mas não faz milagres. Mesmo os provadores mais experientes raramente acertam em tudo. As provas cegas continuam a ser uma excelente lição de humildade, obrigando-nos a avaliar apenas o que está no copo, sem a influência do rótulo ou da reputação. No vinho, poucas coisas são absolutas e é precisamente essa complexidade que o torna tão fascinante.
Sobre a Casa Ferreirinha

O Casa Ferreirinha Reserva Especial ocupa um lugar único na história dos vinhos portugueses. A sua origem está intimamente ligada ao Barca Velha, o vinho que demonstrou ao mundo o potencial dos grandes tintos do Douro e se tornou uma das mais importantes referências da enologia nacional.
Nem todas as colheitas reúnem as condições para dar origem ao Barca Velha. Contudo, em alguns anos, determinados lotes revelam uma qualidade excecional, justificando um engarrafamento próprio. Foi dessa exigência que nasceu o Reserva Especial.
Produzido a partir das melhores parcelas da Quinta da Leda, no Douro Superior, o vinho resulta de uma rigorosa seleção de uvas e de um longo processo de avaliação conduzido pela equipa de enologia liderada por Luís Sottomayor. Durante sete a nove anos, os vinhos são acompanhados e provados regularmente antes de ser tomada a decisão final sobre o seu destino.
O Reserva Especial 2017 é composto por 48% Touriga Franca, 35% Touriga Nacional, 7% Sousão, 5% Tinto Cão e 5% Tinta Roriz. Estagiou cerca de 18 meses em barricas de carvalho francês (75% novas) e permaneceu vários anos em garrafa antes de chegar ao mercado.
Profundo, elegante e com grande capacidade de envelhecimento, este vinho representa mais de três séculos de história da Casa Ferreirinha e a procura constante da excelência. Desde a sua criação, foram declaradas apenas 19 colheitas de Reserva Especial, o que confirma o carácter raro e exclusivo desta referência maior do Douro.