Douro é o próximo destino do Concours Mondial de Bruxelles
A região Demarcada do Douro foi escolhido para receber, entre 14 e 16 de maio de 2027, as Sessões de Vinhos Tintos e Brancos e de Vinhos Doces e Fortificados do Concours Mondial de Bruxelles (CMB), uma das mais reconhecidas competições internacionais de vinho.
O anúncio foi feito na Arménia, onde decorreu a edição deste ano do concurso, pelos responsáveis do Concours Mondial de Bruxelles e a Comunidade Intermunicipal do Douro. Depois de Lisboa, em 2006, e de Guimarães, em 2012, o Douro será a terceira região portuguesa a acolher o evento, que reúne especialistas, provadores, produtores, compradores, escanções e jornalistas internacionais ligados ao setor vitivinícola.
Segundo o diretor executivo do Concours Mondial de Bruxelles, Quentin Havaux, a escolha da região marca o regresso do concurso à Europa. «Depois de termos dado destaque às vinhas emergentes do ‘planeta’ vinho, regressamos à Europa, para um dos terroirs históricos e mais emblemáticos do mundo, o berço do ilustre Vinho do Porto», afirmou o CEO do CMB.
A escolha do Douro volta a colocar no centro das atenções internacionais uma das regiões vitivinícolas mais emblemáticas do mundo. Demarcada em 1756 por iniciativa do Marquês de Pombal, o Douro é considerada a mais antiga região vinícola regulamentada do mundo, tendo sido pioneira na definição de limites geográficos, regras de produção e mecanismos de controlo destinados a proteger a autenticidade e a qualidade dos seus vinhos.
Ao longo de mais de dois séculos e meio, o Douro consolidou-se como um dos grandes territórios vínicos mundiais, impulsionado sobretudo pela projeção internacional do Vinho do Porto. O comércio com o Reino Unido, particularmente a partir do século XVIII, contribuiu para transformar este vinho numa das primeiras marcas internacionais associadas a uma origem geográfica específica.

O Alto Douro Vinhateiro, classificado como Património Mundial da UNESCO desde 2001, é hoje uma das imagens mais reconhecidas de Portugal no exterior. A paisagem, moldada por gerações de viticultores através da construção de socalcos em encostas íngremes de xisto, é considerada um exemplo singular da interação entre o Homem e a natureza.
Com cerca de 250 mil hectares de área total, dos quais mais de 43 mil correspondem a vinha, o Douro divide-se nas sub-regiões do Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior. A região acolhe mais de uma centena de castas autorizadas, destacando-se, entre as tintas, a Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Sousão e Tinta Barroca, e, entre as brancas, a Rabigato, Viosinho, Malvasia Fina e Moscatel Galego Branco.
A organização considera que a realização do concurso representa uma oportunidade de projeção internacional para a região, permitindo dar a conhecer os seus vinhos, património e oferta turística a profissionais e líderes de opinião de vários mercados.
Para o presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro, João Gonçalves, a escolha «distingue não apenas a excelência dos vinhos do Douro, mas também a história, a autenticidade e a capacidade de acolhimento de uma região única, onde a vinha, a paisagem e a identidade caminham lado a lado há séculos».
O responsável acrescentou que receber o concurso constitui «uma oportunidade extraordinária para projetar o Douro junto de decisores, especialistas, compradores, jornalistas e líderes de opinião de todo o mundo». E remata: «Queremos que quem venha ao Douro descubra muito mais do que uma região vinícola: descubra um território vivo, acolhedor, inovador e preparado para construir futuro», afirmou.
Criado em 1994, o Concours Mondial de Bruxelles é atualmente organizado através de diferentes sessões especializadas e avalia anualmente mais de 15 mil vinhos provenientes de vários países, através de provas cegas conduzidas por especialistas internacionais. A edição de 2027 decorrerá em vários locais da região duriense, com o programa detalhado a ser divulgado posteriormente pela organização.