Malhadinha Nova contada em livro
Acabei de terminar de ler o livro ‘Malhadinha: The Heart of Alentejo’, da jornalista Gaia Lutz, editado pela Assouline, a famosa editora de livros de luxo. A obra – como o próprio nome indica – retrata a Herdade da Malhadinha Nova, no Baixo Alentejo, encontra-se publicada em inglês e tem o formato de um bonito álbum de luxo. O livro chegou-me primeiro em privado, num encontro de amigos antes do Natal, e depois em Janeiro de 2026, foi lançado formalmente, dando a conhecer este formato com acabamentos de grande qualidade, típico dos livros-objeto da Assouline.
Demorei a lê-lo, não por ser um livro com muito texto, mas sim porque o fui lendo e vendo devagar, a absorver não só a escrita de Gaia Lutz, mas também as fotografias que documentam a herdade. E, mais importante que o território de enorme beleza, a arquitectura e a decoração dos lugares da Malhadinha… as pessoas. A família Soares, que construiu isto tudo, e alguns membros da grande equipa que está por trás do projecto e e faz tudo acontecer. Ao longo das 188 páginas, o livro mostra como esta família transformou terras abandonadas num projecto vitivinícola, gastronómico e turístico reconhecido internacionalmente, transportando-nos e ligando-nos profundamente ao lugar.
Para quem não sabe, a Assouline (fundada em Paris em 1994), tem uma reputação consolidada no segmento de livros de luxo. Com títulos sobre moda, arte, design e viagens, a editora produz obras de grande formato, impressão e encadernação de alta qualidade, com uma forte componente visual, concebidas para serem apreciadas como objectos artísticos. O livro da Malhadinha segue esta linha, destacando-se como registo de um projeto cultural e familiar, que vive mais além do vinho e do enoturismo.
Conheço a Malhadinha Nova desde o início do projeto e acompanhei de perto cada passo. Passados tantos anos, como amiga desta família tão empenhada e tão querida, é com um enorme orgulho que vejo o projecto crescer, e ter-se tornado numa referência do melhor que se faz no nosso país. Costumo dizer muitas vezes que, quando se trabalha bem em Portugal, trabalha-se muito bem, não ficamos atrás de nenhum outro país do mundo em qualquer área em que nos empenhamos. É o caso da Malhadinha.

A atenção que dedicam a cada detalhe, a forma como recebem os visitantes (para que se sintam em casa) e a beleza e ligação com o lugar, demonstram um nível de exigência raro. No livro, este cuidado e esta atenção ficam visíveis em cada capítulo, começando pela história da família (pela hospitalidade, arquitectura e decoração); passando pela natureza (com a sua variedade de fauna e flora, e pela sustentabilidade); pela riqueza dos seus vinhos e gastronomia; e terminando no legado que as próximas gerações vão continuar. Destaque também para as ‘endpages’, com aguarelas da Ana Gil, uma artista que acompanho há anos, que gosto muito, e imediatamente reconheci. O livro consegue realmente mostrar a essência do lugar, um ambiente sofisticado, mas que se impõe através da simplicidade elegante que define a Malhadinha.
Por último, e fora o livro, é obvio que continuarei a acompanhar este projeto, sobretudo as pessoas por detrás dele. Vivi muitas aventuras na Malhadinha, e tantas outras fora dela, com a família Soares. Existem amizades que permanecem sem muitas palavras, baseadas em conhecimento mútuo, cuidado e carinho. Desejo-lhes o melhor, e que este livro alcance o maior número de leitores possível, mostrando ao mundo o que de fantástico se faz em Portugal.