A tentação da carneeee!
Já se sabe que não é um restaurante novo aquele de que vos falo, mas volta e meia há que relembrar os bons espaços onde somos felizes. A Sala de Corte abriu portas em Maio de 2015, na Rua da Ribeira Nova, no Cais do Sodré, em Lisboa; mas em 2018 mudou-se para a Praça D. Luís I, para um espaço maior. Para quem aprecia carne, tornou-se rapidamente num ponto de referência da capital.
Já lá fui inúmeras vezes e não me canso. Conheço a casa, sei o que esperar. E, desta vez, tinha o desafio adicional de levar um convidado argentino que, como sabem, é um povo que tem a carne no ADN. A ideia foi mostrar-lhe que em Lisboa também se come carne de qualidade, que sabemos cozinhá-la e que o serviço acompanha o produto.
À frente da cozinha está o chefe Luís Gaspar. Magrinho, é verdade, mas cozinha carne com uma mestria que desmente a balança. Conhece-a, respeita-a e apresenta-a com consistência. Além disso, é fã da Argentina, e até esteve lá recentemente, convidado pelo embaixador português para cozinhar num evento que lhe permitiu mostrar a qualidade da nossa gastronomia e do seu trabalho. Os astros estavam, por isso, alinhados.
Deixámo-nos, à confiança, nas mãos do chefe. A refeição começou com croquetes de carne e presunto de vaca em fatias muito fininhas que se desfizeram na boca. Depois, veio para a mesa uma bela costela de vaca mirandesa maturada, marmoreada e suculenta, um corte que evidencia a atenção do chef à matéria-prima e à técnica de maturação. A carne estava muito saborosa, macia e no ponto certo (e acompanhou com um belíssimo arroz de forno).
No final, a sobremesa prolongou a experiência e surpreendeu pelo formato de um ‘bife’ de chocolate. Uma criação composta por mousse de chocolate 70%, paprica fumada, praliné de avelã do Piemonte e caramelo salgado. Uma novidade que demorou dois anos a ser desenvolvida pelo chefe de pastelaria da casa, Claiton Ferreira, muito original no formato e no sabor.



Ficámos por ali, mas no menu há outras delícias que já provei, incluindo entradas como o Tutano na Brasa com tártaro de vaca e pickles de gema de ovo, que simplesmente adoro! Para quem não come carne, a carta também contempla opções vegetarianas como a Couve-flor na Brasa com puré de couve-flor e chimichurri; ou o Tártaro de Beterraba com crème fraîche e cebolinho. Ainda assim, é a carne maturada que continua a reinar na Sala de Corte. Aos cortes já existentes (Vazia, Entrecôte, Lombo, Chateaubriand, Lomo Bajo, Chuletón, T-Bone, Rib Eye Wagyu e Rib Eye Kobe) juntou-se no final do ano passado a Presa de Vaca, um corte especial, com elevada gordura infiltrada e intensidade de sabor.
O serviço, como já era previsto, acompanhou a cozinha. O chefe passou várias vezes pela mesa, explicou os cortes e partilhou detalhes sobre a maturação. Na parte dos vinhos, o atendimento é atento e directo, sem exageros, com copos adequados e com as temperaturas certas.
No final da noite, a Sala de Corte provou, uma vez mais, que continua a ser uma das grandes referências para comer carne em Lisboa. E agora há mais um argentino que pode confirmá-lo.