Uma parceria com mais de 25 anos
A Prats & Symington apresentou em Lisboa a nova colheita do Chryseia, num almoço que voltou a juntar as duas famílias e especialistas de vinho. O 2024 chega depois de um ano particularmente favorável no Douro, marcado por maturações lentas, boa acidez e uma frescura que o enólogo Bruno Prats destacou entre as características desta colheita.
Há eventos que se repetem maioritariamente todos os anos e que são um ponto de encontro espacial do mundo do vinho. A apresentação do Chryseia é um deles e voltou este ano a reunir, em Lisboa, muitos profissionais do sector para conhecer a nova colheita daquele que continua a ser um dos vinhos de referência do Douro.
O Chryseia 2024 foi apresentado no EPUR, no Chiado, restaurante distinguido com uma estrela Michelin, liderado pelo chef Vincent Farges. À mesa estiveram Bruno Prats, antigo proprietário do Château Cos d’Estournel, o filho Florent Prats, e Rupert Symington, CEO da Symington Family Estates. A parceria entre as duas famílias começou em 1999 e juntou a experiência bordalesa de Bruno Prats ao conhecimento do Douro acumulado por várias gerações da família Symington.
O primeiro Chryseia nasceu na colheita de 2000, numa altura em que os vinhos tranquilos do Douro começavam a conquistar outro espaço dentro e fora de Portugal. O reconhecimento internacional chegou rapidamente, o Chryseia 2001 foi o primeiro vinho tranquilo português a entrar no Top 100 anual da Wine Spectator, alcançando o 19.º lugar e 94 pontos.
No entanto, nem todas as vindimas deram origem a Chryseia. Em 2002, um ano particularmente difícil no Douro, a Prats & Symington decidiu não produzir o seu vinho de topo. Foi nessa colheita que nasceu o Post Scriptum de Chryseia, pensado como o ‘irmão mais novo’ da marca, elaborado a partir de uma segunda seleção dos vinhos destinados ao Chryseia. A boa receção levou a que continuasse a ser produzido nos anos seguintes, assumindo-se como o segundo vinho da casa. O Chryseia voltaria a não ser produzido em 2010, que também foi um ano mais fraco no Douro.
Voltando às distinções, dez anos depois da primeira entrada no Top 100, o Chryseia 2011 recebeu 97 pontos e chegou ao terceiro lugar da classificação da Wine Spectator, a melhor posição alcançada até então por um vinho português não fortificado.




Mais recentemente, a presença de Florent Prats veio marcar uma nova fase da parceria Prats & Symington. Depois de uma longa carreira na banca de investimento e banca privada, é presidente da Prats Investissements et Participations, a sociedade que reúne as participações familiares. Entre os interesses que acompanha está a parceria Prats & Symington, mas também outros projectos ligados ao vinho, como a Klein Constantia, na África do Sul, o Château d’Estoublon, na Provença, e a Viña Aquitania, no Chile.
Tal como as anteriores colheitas, o Chryseia 2024 nasce de uvas provenientes da Quinta de Roriz e da Quinta da Perdiz, às quais se juntou, como habitualmente, o contributo da vizinha Quinta da Vila Velha, propriedade particular de Rupert Symington. O lote é composto por 56% de Touriga Nacional e 44% de Touriga Franca, as duas castas que há muito constituem a base do Chryseia, umas vezes em maior ou menor percentagem.
O ano de 2024 ofereceu condições particularmente interessantes no Douro. Depois de um Inverno chuvoso, que permitiu repor as reservas de água nos solos, a Primavera e o início do Verão tiveram temperaturas relativamente moderadas. Apesar de alguns períodos de calor em Julho e Agosto, a maturação decorreu de forma gradual. Setembro trouxe dias moderados e noites frescas, favorecendo a evolução fenólica das uvas e a manutenção da acidez. A Touriga Nacional foi vindimada entre 12 e 23 de Setembro e a Touriga Franca entre 17 e 24. Quem conhece bem o trabalho dos Symington, e consequentemente desta parceria com a família Prats, sabe como estes detalhes são importantes para explicar o perfil do vinho.
O vinho , claro, mantem o mesmo perfil de grande qualidade e frescura de sempre. Aliás, a frescura foi o que Bruno Prats mais sublinhou durante a apresentação. «O que me agrada particularmente nesta colheita de 2024 é a frescura, o equilíbrio entre maturação, estrutura e acidez, a profundidade e a elegância dos taninos. E a forma como essa frescura se mantém até ao final», explicou. O Chryseia 2024 estagiou durante 15 meses em barricas de carvalho francês de 400 litros, sob a responsabilidade da equipa de enologia constituída por Bruno Prats, Charles Symington, Pedro Correia e Miguel Bessa.
Por seu turno, Rupert Symington sublinhou «a consistência que o Chryseia tem demonstrado ao longo dos anos e a capacidade de manter uma identidade própria através de diferentes colheitas». Ao mesmo tempo, não se esqueceu de valorizar o menu do chef Vincent Farges, que cruzou sabores portugueses com influências de outras cozinhas do mundo, pensado para acompanhar os vários vinhos servidos ao longo do almoço do universo Symington e champanhes Pol Roger distribuídos pela Portfolio, empresa do grupo.
Além do vinho, a apresentação serviu também para perceber como uma parceria iniciada há mais de um quarto de século se encontra nesta nova etapa. Bruno Prats continua muito presente, sempre atento ao vinho e aos detalhes de cada colheita, enquanto Florent assume progressivamente o acompanhamento dos interesses da família. Uma geração a passar o testemunho à seguinte, sem pressas.