Raridade leiloada

Ainda no outro dia me perguntaram que vinho gostaria de beber que ainda não bebi, e veio-me à cabeça um Madeira (ou um Porto) anterior a 1800. Já bebi muitos vinhos posteriores a esta data (o mais velho, um Porto de 1815) e é realmente uma sensação fantástica ter acesso a vinhos destes e estar grata por ter experiências assim tão raras, didácticas, históricas. Estava eu nestes pensamentos quando me chegou a notícia que recentemente foi leiloado um Terrantez 1795 da Companhia Vinícola da Madeira, por 6.650 euros, num leilão internacional da Catawiki, um conhecido portal de leilões na internet. Só para que se situem, a Catawiki lançou o seu primeiro leilão em 2011, com um jogo de um famoso cartoon holandês, Tom Poes e, desde então, organiza milhares de leilões de mais de 80 categorias diferentes, e leiloa mais de 35.000 artigos por semana, desde carros clássicos até relógios vintage.

Voltando ao vinho. Eles não explicam a história do vinho, a quem pertencia a garrafa ou onde foi descoberta, mas lá descrevem o que eu já sabia, que a casta Terrantez é rara (basta pensarmos que 90% das vinhas na ilha são de Negra Mole e as restantes repartem-se entre Terrantez, Verdelho, Boal, Sercial e Malvasia), o seu cultivo representa um investimento significativamente mais elevado do que as variedades mais resistentes e de elevado rendimento, e que este estilo de vinhos raros são os mais procurados pelos colecionadores. Enfim. Não tendo dinheiro para ser colecionadora e comprar / licitar vinhos destes, continuo na busca incessante de um dia poder vir a provar um vinho anterior a 1800. É que, mesmo que pudesse comprar uma garrafa destas, eu não iria coleccioná-la, iria seguramente bebê-la. Não há dinheiro que pague uma experiência destas, até porque tenho (quase) a certeza de que o vinho estaria bom. Acreditem, Deus dá nozes a quem não tem dentes! :D
 

Nov, 07, 2017

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