Querido Tony

 Amigo Tony: Há muito que não sei de ti, desde que nos encontrámos na cerimónia de entronização do vinho do Porto, o ano passado. Sabendo que és um bom apreciador de vinho, fiquei radiante de saber que tinhas feito uma parceria com os teus amigos da Quinta da Pacheca para lançar um vinho Reserva a partir de vinhas de 40 anos, com as castas Touriga Franca, Tinta Roriz e Touriga Nacional. Como deves calcular, fiquei curiosa, afinal, é o vinho do Tony Carreira! Aquele que faz desmaiar as fãs mal começa a cantar com a sua voz romântica e translúcida, que faz arrebatar corações sonhadores, não só em Portugal como pelo mundo fora. Por isso, tive de provar o vinho com urgência.
 
Agora que o provei, podemos falar ‘tête à tête’: Está um vinho muito engraçado, é frutado, redondo, com alguma presença. Mas, Tony… Não posso deixar de te dizer que esperava que desses o teu nome a um vinho inesquecível, de qualidade superior. Afinal, és o Tony Carreira! O vinho não é mau, atenção. A enóloga Maria Serpa Pimentel sabe o que faz. E, se a ideia era fazer um vinho com taninos polidos, mais redondo e coisa e tal, tudo ok. Mas, Tony... As tuas fãs esperavam mais de ti… O Grande Tony tinha de dar o nome a um Grande Reserva. Um vinho de Grande estirpe que marcasse o paladar das suas fãs. Um vinho que fizesse vibrar as papilas gustativas. Um vinho com alma que arrebatasse ainda mais corações. E nem vou falar da rolha que escolheram, para não parecer que estou de má vontade.
 
Percebo que o lado comercial é importante, o vinho tem de vender, e vai vender, tenho a certeza. Mas, por favor, promete-me que no futuro vais dar o teu nome a um vinho memorável, encorpado, complexo, envolvente e sedutor. Ou seja, à tua altura !
 
 

Jun, 15, 2017

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