Vinhos fora da caixa

OPINIÃO
 
Deliciei-me no outro dia com dois vinhos alentejanos, improváveis por várias razões. O primeiro, produzido pela CARMIM, é um vinho branco de Gouveio, uma casta profusa no Douro e em Trás os Montes (há confusões criadas com a casta Verdelho, mas isso dava para outro post) e rara de encontrar a sul do país, muito menos em formato de monocasta. Tinha mesmo de o provar e, em boa hora, porque é um vinho muito interessante, com um aroma frutado e mineral, e um bom equilíbrio de acidez, apesar de produzido em terra solarenga.

Já o tinto MM de Malhadinha, é um tinto potente, à base de Tinta Miúda, Alicante Bouschet e Baga, sendo a primeira uma casta difícil - e por isso pouco utilizada pelos produtores - a segunda uma casta francesa já considerada ‘alentejana’ por ser hoje uma das mais utilizadas por estas paragens, e a terceira, uma casta bairradina, que só mais recentemente começou a viajar para sul. De aroma intenso, encorpado, frutado e mineral é um vinho arriscado, mas que resultou muito bem.
 
Numa época em que a globalização nos faz beber tantos vinhos iguais, é bom também saber que há produtores que arriscam, indo ao encontro do desejo dos consumidores por vinhos fora da caixa.
 
 
 
 
 

Mar, 17, 2017

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