Vinhos portugueses: caros ou baratos?

Vamos lá ver se nos entendemos. A maioria dos portugueses reclama quando o preço dos vinhos ultrapassa a fasquia dos 5€ (às vezes até menos). E, se falarmos de um topo de gama, ainda pior! Reclama sem perceber a sorte que tem em viver num país onde ainda se pode beber (e comer) bem e barato. Já viajei muito e não conheço nenhum outro país onde um vinho de entrada que custe entre os 3€ e 5€, por exemplo, seja tão bom como em Portugal. Ou onde um vinho de topo possa custar entre 50€ e 100€, por exemplo, quando noutros países a mesma gama de vinho custa duas ou três vezes mais. Isto sem falar nos grandes vinhos franceses, que podem custar uma verdadeira fortuna. Temos sorte, então. Em Portugal podemos todos beber vinho. Pode não ser todos os dias, ninguém anda a nadar em dinheiro, mas sem dúvida que o vinho é mil vezes mais acessível a todos do que noutros países.


Quero com isto dizer que o vinho português não é caro, meus amigos, nós é que não temos dinheiro! É aí que reside o problema! Se em conversa dissermos o valor de alguns dos nossos bons vinhos a um inglês ou a um americano, por exemplo, eles começam-se a rir. Pior que ficarem a rir, é ficarmos (Portugal) com a nossa imagem prejudicada por sermos tão baratos.


O ideal? Era continuarmos cá dentro a ter os nossos vinhos a preços acessíveis, mas vendermos lá fora muito mais caro. Porque são vinhos bons demais para serem vendidos a um preço tão baixo, em comparação com outros países que oferecem menor qualidade por um preço sempre mais alto. Haverá solução para isto? Enquanto os produtores portugueses não acreditarem na qualidade dos seus vinhos, os venderem a baixo preço e não adoptarem uma postura mais activa, confiante e agressiva no mercado internacional, o caso está muito mal parado. Haja profissionalismo, capacidade de trabalho e perseverança para chegarmos a bom porto.

 

Out, 16, 2018

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