Vinhos de autor

 
Já lá vai o tempo em que o mundo seguia o que faziam os franceses, produzir vinhos para a próxima geração. O mercado do vinho evoluiu tão rapidamente, que hoje já (quase) ninguém espera por nada, o que interessa é colocar o vinho no mercado para vender, e quanto mais novo for melhor, porque ainda é o que quer a maioria dos consumidores. Ficava aqui o dia todo a falar disto, mas a ideia foi introduzir os vinhos de topo de Andrés Herrera, um enólogo e produtor do Alentejo que decidiu esperar por eles. Pronto, não foi uma geração, mas num tempo em que já é raro esperar seja pelo que for, o Andrés arriscou na jogada. Acredito que não tenha sido fácil, até porque alguns vinhos estão ainda marcados por taninos muito presentes e também pela madeira, mas tudo num contexto que faz sentido. São vinhos de autor, com garra e presença, com uma elegância que existe mas não obedece a modas, e que se vai notar e apreciar melhor daqui a alguns anos. Para perceberem melhor, basta dizer que dos vinhos provados - Duende branco Grande Reserva 2010, Duende tinto Grande Reserva 2007, Duende tinto 2010 Grande Reserva e Torero tinto Grande Reserva 2010 – só o Duende branco acusou alguma idade, já com alguns aromas de envelhecimento a surgir, mas ainda com uma excelente estrutura e acidez que denuncia o facto de não ser assim tão velho. Curioso é o facto de ser o único monocasta que conheço de Rabo de Ovelha. Já os tintos, ainda em curva ascendente, ninguém diria que são da colheita de 2010. São vinhos com uma acidez viva, poderosos, prevendo-se perante este quadro que durem ainda largos anos cheios de saúde. Dos três tintos destacou-se o Duende Tinto Grande Reserva 2010, para mim o mais afinado e elegante de todos. Vale a pena estar atento ao trabalho de Andrés.Para quem nunca ouviu falar dele, Herrera é filho de mãe espanhola e pai português, fundadores do conhecido restaurante Meson Andaluz (que já passou por vários sítios e agora se encontra no Chiado). O produtor faz os seus vinhos na Herdade da Murteirinha, entre Estremoz e Arraiolos, desde 2009, após uma fase experimental de micro-vinificações que lhe indicaram que valia a pena seguir em frente. Estudou engenharia agrícola e fez um mestrado na Universidade de Évora, tendo-se dedicado também algum tempo ao toureio, o que o inspirou no nome da empresa: Torero Wines. Antes de trabalhar por conta própria e de prestar consultoria a alguns produtores alentejanos, trabalhou na Fita Preta com David Booth e António Maçanita.
 
 
 
 
 
 
 
 
  
 

Fev, 16, 2018

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