Lançada nova colheita de Pêra Manca

 

Já vos tinha ‘postado’ uma bela foto da garrafa do Pêra Manca, mas ainda não vos tinha dado a conversa. Já se sabe, esta marca é um clássico nacional, o topo de gama por excelência da Fundação Eugénio de Almeida, produzido apenas em anos de excepção. Para quem não sabe algumas curiosidades, o nome Pêra-Manca deriva de ‘pedra manca’ ou ‘pedra oscilante’, uma formação granítica de blocos arredondados em desequilíbrio sobre rocha firme. No entanto, Pêra Manca é também um lugar onde cresciam uvas de grande qualidade. Na época dos Descobrimentos, reza a história que o vinho do lugar de Pêra Manca viajou nas naus que iam para a Índia e para o Brasil. A sua produção foi retomada no século XIX pela casa agrícola Soares, que criou a marca, e que por tê-la deixado de produzir devido à filoxera, a oferece à Fundação Eugénio de Almeida. É aqui que a marca renasce em 1990, pela mão de Colaço do Rosário, na altura enólogo da Fundação Eugénio de Almeida e professor da Universidade de Évora. Elaborado com castas tradicionais do Alentejo (este ano com 55% de Trincadeira e 45% de Aragonês), é um vinho emblemático. Agora foi lançada a colheita de 2013, desta vez apenas 19.000 garrafas, um número bem menor do que o normal (normalmente são cerca de 32.000 garrafas). Desde 1990, produziram-se apenas 14 colheitas, ou seja, como vos disse o vinho só sai em anos de excepcional qualidade definida pelo actual enólogo, Pedro Baptista. O vinho é elaborado a partir de vinhas com 35 anos, sendo que as melhores uvas são escolhidas por uma máquina que seleciona os melhores bagos, a laser. Após a fermentação a temperatura controlada (que demora entre 30 a 40 dias) o vinho estagia em tonéis de carvalho francês de 3 mil e 5 mil litros, durante 18 meses. É nesta fase que Pedro Baptista já consegue definir se está ou não perante um Pêra Manca, apesar do vinho ainda ter pela frente um estágio de dois anos e meio em garrafa. Tal como as colheitas anteriores, o perfil deste vinho é complexo no aroma e no sabor, com aromas de fruto preto, notas minerais e balsâmicas e nuances vegetais. Na boca é poderoso, envolvente e sedutor, um vinho com uma imensa frescura e elegância com muita vida ainda pela frente. Durante o jantar de lançamento, preparado pelo chefe Victor Sobral, foram ainda provados os vinhos Scala Coeli branco 2015, Pêra Manca branco 2015, Cartuxa Colheita tinto 2014, Cartuxa Reserva Tinto 2014, Scala Coeli tinto 2014, Cartuxa Licoroso 50 anos.

Na foto o enólogo Pedro Baptista (à esq) e o administrador da fundação, José Mateus Ginó

 

Dez, 11, 2017

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