Bacalhôa lança novas colheitas

 
O vinho é história. São histórias que nos encantam e nos fazem imaginar como tudo começou. Foi isso que há uns anos me fez escrever um livro chamado ‘Memórias do Vinho’, editado pela Civilização, que conta a história de 20 propriedades vitivinícolas nacionais, tem cerca de 400 páginas e demorou quase 5 anos a fazer. Deveria ter sido o meu último livro mas foi o primeiro, e já está esgotadíssimo. A Civilização não o vai editar novamente, porque faliu. Agora, só em Alfarrabistas. E porque vos conto isto? Porque estive no lançamento da nova colheita do Palácio da Bacalhôa 2014 (entre outros vinhos) no recentíssimo hotel Verride Palácio Santa Catarina, em Lisboa, e a primeira coisa que vimos antes da prova de vinhos foi um filme que mostra um pouco da história deste emblemático palácio, com imagens cedidas pela cinemateca portuguesa e também por familiares de Orlena Scoville, a americana que em 1937 adquiriu o palácio da Bacalhôa e o salvou da ruína. Como devem calcular fiquei completamente agarrada àquelas imagens. Além de ter sido a propriedade que mais me deu trabalho pesquisar, ver aquilo que já sabia em imagens reais, com Orlena a passear-se para cá e para lá, foi quase como ver o dia em que descobriu e se apaixonou pelo palácio e pelos seus azulejos. Enfim, ficava aqui a contar a história todo o dia, mas vamos ao(s) vinho(s) que é o que agora interessa. Durante o evento estiveram presentes os enólogos Vasco Penha Garcia e Filipa Tomaz da Costa (na foto) que nos explicaram como fizeram o vinho.
 
O Palácio da Bacalhôa é feito das castas Cabernet Sauvignon (60,5%)) e Merlot. Após a fermentação a temperatura controlada, seguiu-se um período de ‘cuvaison’ (maceração pelicular pós-fermentativa) de uma semana. Por último, criou-se o lote final que estagiou em barricas novas de carvalho francês durante 13 meses. É um vinho de grande nível (aroma de frutos vermelhos, notas minerais, madeira e especiaria. Na boca muito complexo e profundo com uma excelente frescura), mas durante a prova foram também provados outros vinhos deste produtor, que se comportaram à altura: Quinta da Bacalhôa 2014, Bacalhôa Syrah 2015 e Bacalhôa Merlot 2014. Grande noite! O jantar que se seguiu, com alguns dos vinhos provados (mais o Quinta da Bacalhôa branco 2016), decorreu no restaurante Suba, situado no último andar do hotel. Só para vos situar: o Verride Palácio Santa Catarina fica num edifício do século XVIII que foi pertença de João Lobo de Santiago Gouveia, Conde de Verride, tendo sido o seu proprietário até à sua morte, em 1921. Seguidamente, o edifício foi comprado pela Caixa Geral de Depósitos no final dos anos 60 e foi vendido em hasta pública aos actuais proprietários, Kees Eijrond e Naushad Kanji, investidores privados que aqui gastaram 18 milhões de euros. No restaurante Suba, quem está responsável pela cozinha é o chefe Bruno Carvalho que passou pela Quinta das Lágrimas e pelo Hotel Tivoli, ambos em Coimbra, e entretanto trabalhou em grandes hotéis de luxo em Nova Iorque, São Paulo ou Seychelles. Sobre tudo isto falarei para o ano 
 
 


 
  
 

Dez, 20, 2017

0

SHARE THIS