Bolhinhas que eu tanto gosto

Se há quem veja ainda o espumante como uma bebida de celebração, o que não deixa de ser verdade, por outro, há cada vez mais pessoas que o utilizam para momentos de simples descontração ou para apreciar à refeição. De facto, não deve haver uma bebida tão versátil como o espumante. Fica bem com pratos leves e frescos, ou outros mais estruturados. Fica bem com entradas, pratos principais ou sobremesas. E, por ser uma bebida tão apreciada, é que os produtores portugueses estão cada vez mais apostados em produzi-lo.

Espumantes de qualidade não faltam, maioritariamente originários das regiões mais clássicas e tradicionais, como é o caso da Bairrada. Por excelência, é a região onde encontramos maior variedade de espumantes de qualidade, e marcas tão conhecidas como Luís Pato, Quinta das Bágeiras ou Caves de São João, entre tantas outras. No entanto, o Douro e Távora-Varosa (que faz fronteira com o Douro), também oferecem marcas de espumantes de grande qualidade, de que são exemplo os conhecidos espumantes Vértice, Murganheira e Raposeira, assim como a Península de Setúbal, a terceira região mais representativa na produção de espumantes em Portugal. No entanto, já quase todo o país o produz, de Lisboa ao Tejo, do Dão aos Vinhos Verdes, entre outras, todas elas a revelar e a surpreender com produtos de qualidade.

Fazer espumantes de qualidade é moroso, não é fácil nem barato. Principalmente sabendo que em Portugal quase todos os produtores optam por produzir espumantes segundo o método clássico, tal como é elaborado tradicionalmente na região de Champanhe, o melhor para criar uma bolha mais fina, elegante e intensa. Tudo se processa da mesma forma que um vinho normal, até completar a fermentação. Depois, os enólogos entram em acção, loteando os vinhos que têm disponíveis. De seguida, adiciona-se o licor de tiragem, que contém uma determinada dose de leveduras e de açúcar. São estas leveduras que vão fermentar o açúcar adicionado e criar o dióxido de carbono (responsável pelas bolhinhas).

Após estas operações, as garrafas são acondicionadas e deitadas a uma temperatura constante de doze graus, seguindo-se um estágio nunca inferir a dois, três anos. Durante este período, as leveduras formam sedimentos (borras), o que significa que cumpriram duplamente o seu papel na fermentação e no enriquecimento do espumante. Para retirar as borras, as garrafas são invertidas e inclinadas em suportes de madeira (pupitres), iniciando-se um trabalho de rotação periódico de forma a depositá-las no gargalo. Quando isso acontece, é efectuado o ‘dégorgement’, ou seja, o congelamento das borras, que através da remoção da cápsula, são expelidas pelo gargalo da garrafa através da pressão. A parte de espumante que se perde nesta operação é compensada com o acrescento do licor de expedição – vinho de base – que, no caso do champanhe, não leva adição de açúcar, pois é entendido como adulteração do produto natural obtido em todo o processo. É este o chamado método clássico (ou champanhês), existindo outra formas de produzir este tipo de vinho, mas de menor qualidade.

Actualmente, o nosso espumante não fica atrás de qualquer um no mundo. As opções são variadas e a qualidade elevada. Difícil é escolher.
  
 

Nov, 29, 2017

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