8º Concurso de Iguarias e Vinhos do Tejo

Ontem almocei três vezes e diverti-me à brava. Tudo porque faço parte do júri do Concurso de Iguarias e Vinhos do Tejo, que já vai na sua 8º edição. Este evento, organizado pela Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo e a Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, avalia restaurantes de norte a sul do país, incluindo ilhas, que tenham na sua carta vinhos desta região. A ideia é premiar as melhores harmonizações com diferentes tipos de gastronomia (tradicional, de autor, internacional ou petiscos). O júri é composto por inúmeros profissionais da gastronomia (comida e vinhos) e ontem calhou-me na rifa algumas pessoas que gosto muito e é sempre adorável rever. Mas, voltando à comezaina, a coisa até nem foi pesada, já que no ano passado chegámos a visitar 5 restaurantes num dia, o que quer dizer que pelo menos tivemos de degustar em cada um deles três pratos. Ainda vou falar para a semana mais sobre este tema, especialmente sobre um chefe de um dos restaurantes que avaliámos em Lisboa (visitámos o Viva Lisboa, o Dom Alimado e o Sala de Corte), mas hoje gostava de destacar o muito que ainda é preciso fazer no serviço de vinhos em Portugal. É certo que já existe algum cuidado no tipo de copos, nas temperaturas de serviço e até nas harmonizações do vinho com a comida, mas a verdade é que todos os dias nos deparamos com profissionais que deveriam saber mais sobre vinho e não sabem. E não falo só dos restaurantes que visitei, falo de todos aqueles que deveriam ter a obrigação de ter profissionais à altura e não têm. Não sabem falar sobre as regiões portuguesas, não estudam sobre os vinhos que têm nas suas cartas, não oferecem diversidade e não sabem explicar harmonizações. Mais do que negro, o quadro é triste. Os empresários da restauração geralmente pagam mal, não investem na formação dos seus empregados, mas também a maioria dos empregados não tem estaleca para merecer o esforço. É uma pescadinha de rabo na boca que ainda não tem solução, a não ser quando encontramos pessoas que investem na sua aprendizagem e evolução, sem pensar propriamente nos louros que podem vir a receber. Uma questão de difícil resolução. Mas pronto, já foi pior.
  
 

Nov, 22, 2017

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